Monday, June 27, 2005

“A Liberdade que mata a liberdade” De João César das Neves Hoje no Diário de Noticias

Começa assim…
“A liberdade tem de ser protegida. Esta é a verdade secular que distingue as muralhas da cidade dos muros da prisão.”
… E depois continua….
“ Na busca permanente do equilíbrio delicado entre protecção da liberdade e opressão em nome da segurança, as sociedades livres e democráticas criaram múltiplas instituições para estabelecer e abrigar a sua autonomia. Das leis laborais a Código da Estrada, as actividades humanas são regulamentadas para permitir o exercício pleno da liberdade. Todas menos uma.
A família é aquele campo em que, totalmente, a sociedade moderna preconiza uma liberdade radical, sem limites. Precisamente no aspecto humano mais influente e na área onde, historicamente, mais hábitos e prescrições vigoraram, defende-se hoje, em maciças campanhas mediáticas, o libertarismo mais absoluto.
Enfraqueceu-se o matrimónio pelo divórcio e as uniões de facto. Agora pretende-se descaracteriza-lo com o casamento de homossexuais. Qualquer aliança entre duas pessoas passaria a ser considerável como casamento. Imagine os urros de indignação de empresas e sindicatos se coisa semelhante se passasse nos contratos de trabalho. Mas no campo sexual a única regra admissível é fazer-se o que se quer, sem ninguém ter nada com isso. Não é assim no tabaco, automóvel, bebida, economia, em todo o lado. Mas no sexo tem de ser.
A vulnerabilidade da liberdade leva, como sempre, ao poder do mais forte e ao sacrifício do inocente. As crianças são descartadas antes de nascer pelo aborto e mal-amadas pelo divórcio. Os idosos são esquecidos em vida nos lares e apressados na morte pela eutanásia. Estas são hoje propostas politicas defendidas furiosamente em nome da liberdade.
A mulher é sempre a grande sacrificada. Vivemos no tempo que mais a agride, despreza e oprime. O facto passa despercebido porque, paradoxalmente, tudo é feito em nome da sua libertação. Este magno embuste cultural é já o segundo da nossa era. O feminismo radical é paralelo ao marxismo, que destruiu a condição dos trabalhadores em nome da defesa dos seus interesses.
A opressão actual da condição feminina é fácil de demonstrar. Quais as principais vitimas da degradação da família? Da liberalização do aborto? Da banalização da pornografia? Objectivamente, a nossa cultura de ambição, violência e competição é, em múltiplos aspectos diametralmente oposta aos valores femininos. A mulher foi influente em épocas que preferiam a honra ao sucesso, a estabilidade ao progresso, a beleza à eficácia, a tradição à novidade.
No campo sexual a agressão é mais cínica. Vemos há décadas um esforço intenso para mascarar como natural um modo de vida promíscuo, hedonista, descomprometido. Esta filosofia nada tem de moderno. Ou feminino. Apregoada há milénios pelos clientes de tabernas e bordéis, saltou agora para telenovelas, romances e conversas de café, sendo apoiada pelas próprias vitimas. Temos meninas de escola a aclamar uma atitude tradicionalmente preconizada por marialvas e chauvinistas. A “mulher desinibida” é a realização do sonho mais machista de Casanova e Don Juan, em nome da paradoxal “libertação da mulher”.
Mas a igualdade radical e o libertarismo familiar deram agora mais um passo e os termos da questão estão a mudar. Recusa-se já a existência de atitudes típicas de cada sexo. Vive-se a própria negação de identidade feminina, exaltando homens efeminados e mulheres másculas. Na nebulosidade de conceitos, deixam até de existir “sexos” e passam a existir “géneros”.
Estas questões estraçalham hoje a sociedade espanhola, corroem a cultura holandesa, incendeiam os estados norte-americanos. Perante os patéticos esforços de demolição da família, podemos dizer como Madame Roland contemplando a Guilhotina: “oh liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!”


Acabei por transcrever o artigo quase integralmente, porque considerei que deixa-lo “aos bocados” poderia dar azo a que outras ideias que não as ideias inicialmente transcritas fossem “entendidas”. Ademais, sou incapaz de lhe ficar indiferente dado que é insultuoso de variadíssimas formas Graças a deus, ou ao diabo (hoje em dia nunca se sabe)…. que temos liberdade que mata a liberdade (que mata a liberdade). Também não acredito numa sociedade sem leis, sem valores, sem cultura. Mas sou e serei sempre incapaz de ser a favor de uma sociedade que promove homogeneidade de crenças e valores. Porque o ser Humano é diverso por natureza. Sem mudança não há progresso. E quando se diz que as criancinhas coitadinhas sofrem muito com o divorcio, devia referir-se sempre “em anexo” que há criancinhas que sofrem muito mais sem o divorcio e muito mais sofreram quando o divorcio era assunto para se falar nas esquinas de trapo na boca. Quando se diz que o “libertarismo” feminino é machista, está a afirmar-se que: ponto numero um ; o libertarismo é absoluto. Quando na realidade o que se pretende é dizer que se assim se desejar se pode aderir a essa ideia, sem nunca ser obrigado a isso. Ponto numero dois: que a liberdade sexual é característica e pertence exclusivamente ao género masculino. Depois há o ponto que liga a palavra amor à união de dois géneros como se fosse algum composto químico capaz unicamente de surgir mediante presença de substâncias exclusivas de cada um dos sexos. Obviamente que não existem leis que regulem a expressão sexual de adultos e temos de estar gratos por isso. Quando vierem leis para isso é favor fazer leis também contra roupas amarelas, porque me causam náuseas. Assim fica ela por ela, ou ele por ele, menos uma camisola amarela no mundo, que nada me diz respeito; por cada pessoa infeliz, que tão pouco me diz respeito e tão pouco dirá respeito ao Sr. Das Neves. Que tão certo está de estar certo como o resto da população mundial com a diferença de acreditar que as suas ideias devem vigorar por cima da liberdade e consequente felicidade alheia. Quando me conseguirem explicar sem ser por apetite, ou gosto, e em discurso de quem fala que gosta mais de frango no forno que peru, as razões legitimamente ancoradas na liberdade e nas leis do espaço de do direito à privacidade, que fundamentam tanta polémica em torno da população homossexual, vou ser a primeira a sentar-me na bancada da oposição, por agora, venham mil Neves… E se vierem mais… levo o meu cérebro e a minha vontade de trabalhar para fora do país. Ora não é isso que interessa para viver em sociedade? Cumprir as obrigações cívicas e não chatear os outros. Talvez por isso a Espanha, a Holanda e os Estados Unidos sejam dos países mais desenvolvidos do mundo, talvez seja por isso e por se preocuparem mais com tudo o resto do que a quem amam e com quem se deitam os seus cidadãos.

Abaixo os Neves de Portugal. Venha a liberdade. O convívio pacifico, a tolerância.
Deus criou mais que um tubérculo… E agora… será que é para comer batata sempre?
Não gosta não come!...

0 Comments:

Post a Comment

<< Home